terça-feira, 6 de novembro de 2012

Meditar é preciso

Sempre tive uma vontade muito grande de consertar o mundo. E na meditação você não consertar nada. Você aceita o que você tem: sua respiração, seus medos, seus pensamentos todos. Você não muda nada, apenas observa. Ao mudar algo, sem observação, cometemos erros. E isso, é comum acontecer. Quando aprofundamos na observação, qualquer mudança virá de uma percepção mais ampla e a tendência para o erro se torna menor. Pode ser que eu não tenha filhos. Pode ser que eu tenha três e me torne professora. Pode ser que a vida decida por mim. E nisso eu não uso “pode ser”, porque eu tenho certeza de que ela será assertiva, como foi até agora.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quero vir a ser contigo




Quero ser eu mesma
Para deixar de ser

Nessa dança de seres que são,
Seremos o melhor que podemos ser

Um para o outro e um para àquele que não é o outro,
Mas sim o mesmo em nós mesmos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Acreditar é


Quando não acreditamos, o sonho se torna pluma e voa sem sabermos para onde.
Quando acreditamos, o tudo se torna possível a partir do qualquer.
Acredito que a gente pode deixar de acreditar.
Mas só por um tempo, porque difícil mesmo é não acreditar em nada, nem em você mesmo.
É assim que acontece a morte.
Que eu prefiro não acreditar que existe.

Sobre o Caos





O caos não existe porque a realidade sempre esteve programada para a mudança.

O Karma



Cada vez que relutamos olhar para o carma, ele toma dimensões que na verdade não possui.O nosso medo é a única maneira que ele encontra para continuar existindo.

Uma vez que nada é estável e que tudo o que hoje traz prazer, amanhã poderá trazer outra coisa.
Temos que andar pelo mundo com a ambiguidade que ele próprio nos oferece.
Construir, desconstruindo, nos apegar, desapegando.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Valor do Trabalho




Um senhor de camisa azul se sentou ao meu lado na parada de ônibus, observando o movimento. Pensei: daqui a pouco trocaremos os papéis e eu serei a senhora aposentada a divagar sobre a paisagem. E ele disse: quem não trabalha, não tem valor. O trabalho é fundamentalmente importante, reconheço. Mas a partir do momento que ele passa a excluir e a fazer pessoas se sentirem exiladas, mesmo estando em sociedade é algo relativamente questionável.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Noite Perfeita



Fui a palestra do Lama hoje. Parei na entrada para ver o cartaz que estava na fachada e nesses milésimos de segundos um Palio colidiu com uma Kombi que tinha parado na faixa. Dois desconhecidos que nunca haviam se falado antes vão começar uma conversa agora, pensei. Se uma conversa é de fato, uma forma de contato, o carro batido os uniu para um diálogo que poderia muito bem começar com o costumeiro “Você está bem”.

Acidentes a parte, o Lama nos disse que a vida nos proporciona um tabuleiro e que temos que escolher a peça que seremos. A visão do tabuleiro é indissociável da visão do jogador, ou seja, a visão do externo vai depender única e exclusivamente de nossa visão interna. Se vemos um paraíso, é porque ele está primeiro em nós.

O ponto alto da palestra foi quando ele disse sobre o sofrimento. Logo, não adianta pedirmos pela compaixão, devemos ser a compaixão. Se alguém está sofrendo, não devemos ficar imóveis pedindo que a situação melhore, pois temos toda a capacidade de fazê-la melhorar. O mundo dos deuses na roda de samsara funciona assim: eles acham tudo perfeito e lindo, mas não agem para ganhar a iluminação e saírem enfim da roda da vida. E o que move a vida em si, não é a economia ou algo do tipo. É pura e simplesmente a compaixão: fomos criados em um lar que nos acolheu, nos proporcionou todas as possibilidades na medida do possível para chegarmos onde estamos e tudo isso, aconteceu porque havia compaixão. Posteriormente, os filhos ajudam seus pais, em retribuição a esse sentimento de compaixão. O que mais me anima é que estamos em terra pura e basta a semearmos, para recebê-la.

Queria muito mesmo que o diálogo da batida iniciado com “Você esta bem” estivesse arraigado dessa mais pura compaixão, afinal, é por ele que estamos nos movendo agora.